De onde vem o preço

O trato é simples: todo preço que aparece no Cofre TCG tem fonte com nome, condição declarada, moeda declarada e data visível. Esta página percorre o caminho inteiro, da cotação internacional ao valor em reais na sua tela, incluindo o que descartamos antes de publicar, o tamanho conhecido do erro e as decisões que mudaram no meio do caminho, cada uma com data.

O caminho de um preço

Todo preço do Cofre TCG nasce fora do Brasil, e desde 27/08/2026 vem de uma praça só:

  • TCGPlayer (EUA): preço de mercado de carta Near Mint, em dólar.

As cotações chegam pelo catálogo da TCGdex, distribuído sob licença MIT e creditado no rodapé de todas as páginas. O valor é convertido em reais pelo câmbio do dia, cotado na AwesomeAPI; quando ela falha, a reserva é a taxa de referência do Banco Central Europeu (via frankfurter.app). A coleta roda todo dia, por volta das 12h, para o catálogo inteiro, e cada expansão tem sua página em todas as expansões.

O resultado é uma referência internacional convertida em reais, não o preço praticado no Brasil. A diferença entre as duas coisas existe, foi medida e tem uma seção própria mais abaixo.

Por que uma praça só, e por que esta

Porque é a única que diz de que estado de conservação está falando. O TCGPlayer publica preço por condição, e o número que ele expõe para uma carta é o de Near Mint. O Cardmarket não separa condição nenhuma: o preço dele é a média de tudo que foi vendido daquela carta, de exemplar detonado a exemplar perfeito, em qualquer idioma.

Isso importa porque o Cofre trata a referência como Near Mint: é dela que sai a estimativa de quanto vale a mesma carta em SP, MP, HP ou D, em preço por condição. Enquanto parte do catálogo vinha do Cardmarket, essa afirmação era falsa nessa parte.

O tamanho do problema, medido em 27/08/2026 numa amostra de 700 cartas do catálogo: a média de 30 dias do Cardmarket ficou em 0,68 vez o preço Near Mint da mesma carta (mediana), e abaixo dele em 72% das cartas. Um exemplo do mesmo dia: o Magmar ex de Ruby & Sapphire tinha anúncio a partir de € 5 na Europa, num dia em que o preço Near Mint era US$ 63,63. Os dois números são verdadeiros; eles só não são a mesma coisa.

A troca custou pouca precisão, e isso também foi medido. No teste de calibração de 19/08/2026, descrito abaixo, usar só o TCGPlayer dava razão mediana de 1,22 entre anúncio brasileiro e referência, com erro típico de 69%; a régua híbrida que usávamos até 26/08 fechava em 1,30 e 68%. Praticamente empatadas, e a versão de praça única é a que sabe de que condição está falando.

O preço deixou de existir para 7,9% das cartas do catálogo, que só tinham cotação europeia. Elas continuam no álbum, mas sem valor e dizendo por quê. Preferimos carta sem preço a um preço que mede outra coisa.

O teste de 19/08/2026, que continua valendo como medição

Foi ele que calibrou a régua híbrida, e é dele que sai boa parte do que esta página afirma sobre o mercado brasileiro. Partimos de 92 anúncios brasileiros reais coletados no MYP (marketplace brasileiro). Desses, 89 tinham as duas cotações internacionais e entraram no teste por faixa. Convertemos as duas cotações em reais e medimos, carta a carta, qual praça chegou mais perto do preço pedido por aqui.

Faixa (em R$)Praça escolhidaAnúncio BR ÷ Cardmarket (mediana)Anúncio BR ÷ TCGPlayer (mediana)Cartas no teste
até R$ 2TCGPlayer2,23×1,22×19
R$ 2 a R$ 10Cardmarket2,12×1,84×19
R$ 10 a R$ 50TCGPlayer2,28×1,43×19
R$ 50 a R$ 250TCGPlayer1,29×0,98×17
acima de R$ 250Cardmarket0,79×0,86×15

A tabela acima é o retrato daquele dia, e a coluna "praça escolhida" é história: desde 27/08/2026 nenhuma faixa escolhe praça, todas usam o TCGPlayer. O que ela continua dizendo é o que interessa aqui: acima de R$ 250, o anúncio brasileiro típico ficou abaixo da referência internacional, e nessa faixa o número que mostramos tende a ser teto, não piso.

O agregado, sem maquiagem: usar só Cardmarket daria razão mediana de 1,62 entre anúncio BR e referência, com erro típico de 105%; só TCGPlayer, 1,22 e 69%; a régua híbrida fechou em 1,30 e 68%. E a ressalva mais importante do teste é hoje a razão de ele não decidir mais nada: os anúncios brasileiros comparados não declaram condição, porque a fonte do teste não separa Near Mint. Calibrar a condição do nosso preço por uma medida que ignora condição era o degrau que faltava enxergar.

O que jogamos fora antes de publicar

Fonte boa também erra. Antes de qualquer preço ir ao ar, um validador aplica três regras, e o que cai em qualquer uma delas não é publicado:

  1. Preço fora do próprio set. Uma carta que pede 15 vezes a mediana das cartas da mesma raridade da mesma expansão quase sempre está apontando para o produto errado na fonte. Encontramos vários casos assim e reportamos o problema na issue 2201 do tcgdex/cards-database; enquanto a correção não vem, vetamos o que detectamos.
  2. Salto de um dia para o outro. Preço que multiplica ou divide por 3 em 24 horas é remapeamento na fonte, não mercado. Fica em quarentena no mesmo dia.
  3. Reincidência sem cura. Carta vetada ontem não volta só porque o número oscilou: precisa de confirmação.

As duas últimas regras pedem uma segunda opinião, e é aí que o Cardmarket continua trabalhando aqui: ele não vira preço em tela nenhuma, mas responde se o valor está na mesma ordem de grandeza do mercado europeu. É o único papel que ele tem desde 27/08/2026.

Em 08/10/2026 são 54 cotações vetadas. A lista é pública, no arquivo precos-suspeitos.json do site, com o motivo de cada veto. Errar é inevitável; esconder o erro é escolha; preferimos carta sem preço a preço errado.

O ágio brasileiro, e por que ele não vira preço

Em 19/08/2026 comparamos 92 anúncios brasileiros com a nossa referência. Medido contra a régua que vale hoje, só TCGPlayer, o preço pedido no Brasil foi tipicamente 1,2 vez a referência internacional, com variação grande de carta para carta: o erro típico ficou perto de 69%.

A tentação óbvia seria multiplicar tudo por 1,2 e anunciar um "preço Brasil". Não fazemos isso por uma razão simples: com essa variação, o 1,2 descreve o conjunto, não cada carta. E há uma segunda razão, que ficou clara em 27/08: o anúncio brasileiro quase nunca diz o estado da carta, enquanto o nosso número é de carta Near Mint. Multiplicar daria a cada carta um número inventado com cara de medido. Número medido vale mais que número inventado, então mostramos a referência como ela é e declaramos aqui, com data, o tamanho do ágio.

Na prática: use o preço do site como piso de negociação, não como preço de vitrine. Para estimar o que resta de uma venda real, com taxas e frete, existe a calculadora quanto sobra na venda.

Limitações conhecidas

  • A série histórica é jovem, e recomeçou em 27/08/2026 para as cartas cujo preço vinha do Cardmarket: régua nova não pode ser plotada em cima da antiga sem inventar um degrau. As cartas que já vinham do TCGPlayer mantiveram a série desde 19/08/2026. Gráficos de longo prazo vão existir quando existir longo prazo, não antes.
  • Só Near Mint tem cotação. O TCGPlayer publica preço de carta Near Mint, e é o que mostramos. O desconto por condição usado em preço por condição é estimativa nossa e está rotulado como estimativa.
  • Nem toda carta tem preço. Carta sem cotação Near Mint, ou vetada pelo validador, aparece sem preço e diz isso na tela. São 7,9% do catálogo, quase todas promos. Não preenchemos o vazio com chute.
  • O câmbio mexe no número. Como a conversão usa o câmbio do dia, o valor em reais pode mudar sem que o mercado da carta tenha mudado. A moeda de origem fica declarada.
  • A precisão tem limite, e ele é conhecido. Contra anúncios reais, o erro típico da referência é de cerca de 69%. É o melhor número que conseguimos medir hoje, e por isso ele está escrito aqui, e não escondido.

Changelog das decisões

Metodologia que muda em silêncio não merece confiança. Cada decisão que altera preço fica registrada, com data:

  • 13/08/2026: o Cardmarket (média de 30 dias) vira a fonte principal do site.
  • 18/08/2026: o site inteiro passa a usar uma régua só; até então, o álbum ainda calculava na régua antiga. As séries de preço recomeçam do zero para não misturar metodologias.
  • 19/08/2026: nasce a régua híbrida por faixa, calibrada pelo backtest desta página; o histórico do álbum recomeça mais uma vez, para que toda a série viva sob a mesma regra desde o primeiro dia.
  • 27/08/2026: o Cardmarket sai da régua e o preço passa a ser só o Near Mint do TCGPlayer. Motivo: o Cardmarket não separa estado de conservação, e o site trata a referência como Near Mint desde sempre. Medimos o tamanho do desencontro (0,68 vez, em 700 cartas) antes de decidir. As cartas que vinham da praça europeia recomeçam a série; 7,9% do catálogo passa a aparecer sem preço; e a leitura de alta e queda deixa de usar a "tendência" do Cardmarket, que misturava condições, e passa a comparar o nosso preço Near Mint de hoje com a média dos dias que já medimos, com o tamanho da janela escrito na tela.

Quando a régua mudar de novo (e vai mudar, porque medir de tempos em tempos é parte do método), a mudança entra nesta lista com data.

Para ver a régua aplicada às suas cartas, o caminho é o cofre. As seis contas de colecionador, incluindo quanto vale minha coleção e troca justa, estão em calculadoras, e quem quiser entender o mercado antes do preço começa pelo guia.

Perguntas que chegam junto

De onde vem o preço de cada carta?

Do preço de mercado do TCGPlayer (EUA, em dólar) para carta em estado Near Mint, obtido pelo catálogo da TCGdex e convertido em reais pelo câmbio do dia. É uma praça só desde 27/08/2026, e é ela porque é a única que declara de que estado de conservação o preço está falando.

O preço do Cofre TCG é o preço praticado no Brasil?

Não. É uma referência internacional convertida em reais. Em 19/08/2026 comparamos 92 anúncios brasileiros com essa referência: medido contra a régua que vale hoje, o preço pedido aqui foi tipicamente 1,2 vez o valor mostrado, com variação grande de carta para carta. Use o número como piso de negociação, não como preço de vitrine.

Por que vocês não multiplicam tudo por 1,2 e mostram um preço Brasil?

Porque a variação entre cartas é grande demais: o erro típico da comparação foi de cerca de 69%. E o anúncio brasileiro quase nunca diz o estado da carta, enquanto o nosso número é de carta Near Mint. Multiplicar daria um número inventado com cara de certeza. Preferimos mostrar o valor medido e declarar o tamanho da diferença, com data.

Com que frequência os preços atualizam?

Todo dia, por volta das 12h. O câmbio usado é o do dia, cotado na AwesomeAPI, com a taxa de referência do Banco Central Europeu como reserva quando ela falha. A data da cotação de cada carta fica visível no site.

Minha carta está usada. O preço vale para ela?

Não diretamente. Só carta Near Mint tem cotação pública nas fontes que usamos. O desconto por condição mostrado na calculadora de preço por condição é estimativa nossa, apresentada como estimativa: não existe cotação pública de carta usada.

Por que uma carta aparece sem preço?

Ou ela não tem cotação Near Mint publicada, ou o preço foi vetado pelo nosso validador, que barra cotações suspeitas antes de publicar. Desde a troca de régua em 27/08/2026 são 7,9% do catálogo sem preço, quase todas promos, e a lista dos vetados fica em arquivo público no site. Preferimos nenhum número a um número errado.

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